Ecos do espelho
Literatura de bom gosto e pouco conhecida


Domingo, Maio 29, 2005  

Meu rosto
frio
sente
falta da tua voz
As Palavras
que tanto me inebriaram
e me levaram
à euforia
trôpega
das
possibilidades de
lua
Não mais me procuram
Ainda não consigo ficar triste,
mas saudaosa
e temo o tremor
do término
dessa troca

Pergunto-me
se foi ou pode ser

Mas se a mim não compreendo
A alma
Como a ti posso começar a querer?

posted by BIANCA MOREIRA CAMPEIRO | 8:08 AM


Quinta-feira, Maio 19, 2005  

Três toques
Antonio Carlos Secchin

1) Paciência!

O processo dessa amor
já caiu em exigência.

2) Impaciência

Amor é bicho precário.
Eu queria avançar no romance,
e você me cortou no sumário.

3) Dialética

Acho que assim
resolvo o nosso problema.
Tiro você da vida
e boto você no poema.

posted by BIANCA MOREIRA CAMPEIRO | 9:48 PM


Quinta-feira, Maio 12, 2005  

Meus olhos fechados suplicam
advinha meu pensamento
te ofereço meus lábios
estou entregue
adivinha meu pensamento

é apenas encontrar a senha
criptografada no meu corpo ao teu atado
nas mãos que cerram teus cabelos
nesse suspiro fundo e abafado

meus olhos fechados suplicam
adivinha meu pensamento
te ofereço meus cuidados
estou entregue
advinha meu pensamento

basta a senha indiscreta
da estampa de sonhos antigos
teimosos, que ressurgem no meu sorriso
revelada nas fotografias azuladas
do dia de chuva, da concretização do rito

meus olhos fechados suplicam
este teu poder tão inerente e necessário
advinha meu pensamento agora
e que a tua descoberta
seja apenas coincidência

posted by BIANCA MOREIRA CAMPEIRO | 10:16 PM


Domingo, Maio 08, 2005  

Achei que ela tinha morrido. Andava estupefata ultimamente com aquele silêncio tão grande. Sentia que de fato havia me abandonado e, embora isso não fosse necessariamente ruim, era estranho. Parecia que eu estava meio solta de mim mesma, sem aquela obsessiva repassagem dos fatos, desde quando o joelho daquela menina se estabacou no chão por uma idiotice de uma criança grande até a mais remota surra porque não queria comer presunto. Surra de cinta. Obsessiva repassagem que acompanhava cada viagem de ônibus, cada momento numa fila. Quando criança eu conseguia agüentar as filas bem porque elas me faziam repassar e pensar tudo, numa concentração tamanha que parecia que nunca iria imergir do transe.
Continuo assim ainda. Mas onde está o eco do meu passado? Morto. Morta, ela, minha perdição e minha inspiração. Essa dor do mundo todo que denomino de minha e, incorretamente para a designação empírico do mundo, loucura. A minha loucura.
Ela foi embora. E me sinto estranha e tenho uma pequena ponta de desconforto, porque não consigo mais escrever como antes, e as palavras de Plutão parecem ter sido proferidas por um ser alienígena. Minha loucura, minha outra face, meu retrato de Dorian Gray. Sem ela talvez eu nunca consiga marcar o mundo. Pedi tanto pelo analgésico que não me perguntei se iria querer parar de ouvir ao meu próprio uivo quando a dor passasse.
Ela foi embora. E eu caminho sem dores no mundo que me impeçam de chorar. Tenho um ombro amigo, um trabalho bom e força para continuar sempre sem me abater. Ela foi embora e me sinto obrigada a ir em frente.
Ela foi embora e prefiro que não regresse nunca mais.

posted by BIANCA MOREIRA CAMPEIRO | 4:11 PM


Quarta-feira, Maio 04, 2005  

O real é miragem consentida,
engrenagem da voragem,
língua iludida da linguagem
contra o espaço que não peço.
O real é meu excesso.

(Antonio Carlos Secchin. Todos os ventos)

posted by BIANCA MOREIRA CAMPEIRO | 11:23 AM
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